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ToggleSabia que seus colaboradores podem passar mais de 80% do dia sentados?
Essa imobilidade não é apenas um risco à saúde individual, mas um desafio estratégico para o RH.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é o quarto principal fator de risco de mortalidade global, sendo responsável, inclusive, por cerca de 5 milhões de mortes evitáveis por ano. Em outras palavras, pessoas com baixos níveis de atividade física têm entre 20% e 30% mais risco de morrer precocemente em comparação a pessoas ativas. Além disso, o ambiente corporativo figura como um dos grandes responsáveis por esse cenário.
De acordo com estudos da Harvard Health Publishing e também da Fiocruz, longas horas sentado aumentam significativamente as chances de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, dores osteomusculares e, ainda por cima, sintomas de ansiedade e depressão.
Para o RH, isso se traduz, portanto, em um ciclo claro: quanto mais sedentarismo, mais doenças, mais afastamentos, menos engajamento e, por conseguinte, maiores custos com saúde.
Mas há boas notícias. O RH tem nas mãos a oportunidade de transformar o ambiente de trabalho em um espaço ativo, saudável e engajador.
A seguir, veja oito ações práticas que sua empresa pode aplicar para combater o sedentarismo no trabalho e construir uma cultura de bem-estar corporativo.
1. Incentive pausas ativas durante o expediente
Pequenas pausas fazem grandes diferenças. Incentivar os colaboradores a realizarem pausas ativas a cada 60 a 90 minutos reduz dores musculares, melhora o foco e estimula a circulação sanguínea.
Essas pausas podem incluir alongamentos rápidos, respiração guiada, rotações de ombro ou caminhadas curtas pelos corredores.
Um estudo publicado no Journal of Occupational Health mostrou que pausas de apenas cinco minutos a cada hora sentada podem melhorar em 10% a concentração e reduzir em 32% a sensação de fadiga ao final do dia. (PMC)
Dica do RH: crie lembretes automáticos no Teams, Slack ou intranet. Nomeie embaixadores do movimento para lembrar os colegas das pausas e transforme o momento em um ritual coletivo.
2. Adote a ginástica laboral como rotina permanente
A ginástica laboral é uma das ferramentas mais conhecidas, e também uma das mais negligenciadas, no combate ao sedentarismo no trabalho.
O problema é que muitas empresas a tratam como uma ação pontual, como na SIPAT. Quando incorporada de forma contínua, ela se torna uma verdadeira aliada da saúde corporativa.
Segundo a Fiocruz, colaboradores que praticam ginástica laboral regularmente têm redução de 25% nos sintomas de dor osteomuscular e relatam melhora significativa no humor e disposição.
Como aplicar:
- Promova sessões curtas, de 10 a 15 minutos, duas a três vezes por semana.
- Varie os exercícios (alongamentos, respiração, mobilidade articular).
- Faça rodízio de horários para contemplar diferentes turnos.
- Envolva as lideranças, pois o exemplo é o maior estímulo.
Quando o RH transforma a ginástica laboral em rotina e não em evento, o movimento deixa de ser obrigação e passa a fazer parte da cultura.
3. Reforce a ergonomia e estimule o movimento
A ergonomia é a base de um ambiente de trabalho saudável. Ela não se limita à cadeira ou à altura da tela, mas ao incentivo à postura ativa e à variação ao longo do dia.
De acordo com um levantamento da Harvard T.H. Chan School of Public Health, alternar períodos sentado e em pé durante a jornada pode aumentar o gasto calórico diário em até 20% e reduzir significativamente as queixas de dor lombar.
O que o RH pode fazer:
- Oferecer mesas ajustáveis (sit-stand) e orientações sobre postura.
- Realizar avaliações ergonômicas semestrais, com acompanhamento técnico.
- Estimular pausas de postura, levantando-se por alguns minutos a cada hora.
- Promover campanhas de conscientização visual (adesivos, banners, lembretes digitais).
Ergonomia não é custo, é investimento em produtividade. Cada afastamento evitado por LER/DORT representa economia direta para a empresa e qualidade de vida para o colaborador.
4. Transforme reuniões em oportunidades de movimento
As reuniões ocupam boa parte da rotina corporativa e também do tempo sentado. Mas o RH pode transformar esse tempo em momentos de movimento e criatividade.
Empresas inovadoras como Google e Microsoft já adotam o modelo de “walk meetings”, reuniões curtas feitas caminhando.
Pesquisas da Stanford University indicam que o movimento pode aumentar em até 60% a geração de ideias criativas em comparação a reuniões tradicionais.
Como o RH pode aplicar:
- Incentivar reuniões de até 30 minutos em pé ou caminhando.
- Disponibilizar espaços abertos ou jardins para conversas leves.
- Inserir o “modo em pé” como parte das boas práticas de gestão de tempo.
Além de reduzir o sedentarismo, essas reuniões tornam a comunicação mais objetiva e fortalecem a cultura de colaboração e confiança.
5. Crie desafios e campanhas de bem-estar corporativo
O ser humano é movido por propósito e, muitas vezes, por competição saudável. Desafios de bem-estar corporativo são uma forma eficaz e divertida de engajar equipes.
Exemplos de desafios para o RH promover:
- Desafio dos 10 mil passos diários, com ranking entre equipes.
- Campanha “Suba pelas escadas” com gamificação e metas.
- “Semana do movimento”: metas de minutos ativos por dia.
- Incentivos para quem pratica atividade física regularmente.
De acordo com a Gallup, colaboradores que participam de programas de bem-estar apresentam até 41% menos absenteísmo e, consequentemente, 59% maior engajamento com a empresa.
Em síntese, o segredo está na comunicação: utilize intranet, e-mails e grupos internos para, além de mostrar resultados, reconhecer conquistas e, assim, manter o entusiasmo coletivo.
6. Promova campanhas de conscientização sobre sedentarismo
Muitos colaboradores simplesmente não percebem o quanto passam o dia inteiro sentados. Campanhas de conscientização ajudam a tornar o problema visível e, portanto, modificável.
De acordo com uma pesquisa da Fiocruz, 70% dos trabalhadores de escritório brasileiros passam mais de oito horas por dia sentados, sem interrupção. Por isso, campanhas bem planejadas, além de utilizarem uma linguagem acessível, podem ajudar a transformar essa informação em ação.
Ações práticas para o RH:
- Produza vídeos curtos e infográficos sobre os riscos do sedentarismo.
- Faça quizzes de autodiagnóstico: “Quantas horas você passa sentado por dia?”.
- Traga palestras curtas com fisioterapeutas e educadores físicos.
- Inclua o tema em semanas de saúde ou eventos internos.
Quanto mais o colaborador entende o porquê da mudança, maior a probabilidade de adesão às ações de movimento.
7. Integre a saúde física às ações de saúde mental
O sedentarismo não é apenas um problema físico. Estudos da UCLA Health apontam que o comportamento sedentário está associado a maior risco de ansiedade, depressão e declínio cognitivo. Ou seja, corpo parado, mente sobrecarregada.
O papel do RH:
- Oferecer programas integrados de saúde física e emocional.
- Conectar pausas ativas a práticas de respiração e mindfulness.
- Criar grupos de apoio ao autocuidado, com temas como sono e estresse.
Empresas que unem saúde mental e movimento criam ambientes mais leves, humanos e produtivos. O colaborador ativo é mais consciente do corpo, do humor e da própria performance.
8. Dê o exemplo e envolva a liderança
Nenhum programa prospera se a liderança não se envolver. Por isso, o RH deve incentivar gestores a serem o exemplo: além de participar das pausas, devem praticar atividades, compartilhar experiências pessoais e, sobretudo, reconhecer quem adere às iniciativas.
De acordo com estudo da Harvard Business Review, quando líderes participam ativamente de programas de bem-estar, a consequência é clara: a adesão das equipes aumenta em até 73%.
Como os líderes podem se tornar embaixadores do movimento:
- Inclua metas de bem-estar no plano de liderança.
- Treine gestores para promover pausas saudáveis em suas equipes.
- Crie um painel do movimento com fotos e depoimentos dos líderes participantes.
Quando a alta gestão se move, a empresa inteira acompanha. O cuidado se torna parte da identidade corporativa.
Do diagnóstico à ação: um plano para o RH
Antes de implementar qualquer ação, o RH precisa conhecer o ponto de partida. Entender o nível de sedentarismo na empresa é o primeiro passo para construir um plano de impacto.
Etapas práticas:
01) Diagnóstico: aplique questionários de saúde e cruzamento de dados (absenteísmo, idade, função, teletrabalho).
02) Mapeamento de risco: identifique setores mais sedentários, como áreas administrativas e home office.
03) Metas de valor: estabeleça objetivos claros, como reduzir em 10% o tempo sentado em seis meses.
04) Mensuração contínua: acompanhe indicadores e comunique resultados à liderança.
05) Cultura de movimento: envolva a empresa inteira, não apenas áreas específicas.
Um exemplo prático é o de uma empresa brasileira de tecnologia que implementou pausas ativas diárias e ginástica laboral, reduzindo em 18% os afastamentos por dores lombares e aumentando em 27% o engajamento interno, segundo dados da ABQV.
Análise de resultados: o que o seu programa revela
Maioria das ações ainda no nível operacional? O alerta amarelo está aceso. Nesse caso, seu programa funciona apenas como contenção de danos, sem, contudo, gerar vantagem competitiva. Portanto, o RH precisa sair do modo reativo e, assim, conectar o movimento à estratégia de saúde da empresa.
Maioria das ações já estratégicas? Parabéns. Isso significa que a sua empresa entendeu que saúde é investimento e não apenas custo. Ao combinar, de forma integrada, prevenção, engajamento e, além disso, cultura, você está colhendo resultados sustentáveis tanto em produtividade quanto em clima organizacional.
O movimento que gera valor
O sedentarismo no trabalho é um desafio de saúde pública e corporativa. Por isso, cabe ao RH liderar essa transformação com ações simples, consistentes e humanas.
Promover movimento é promover vida, engajamento e valor. Empresas que combatem o sedentarismo não apenas previnem doenças, mas constroem culturas organizacionais mais saudáveis, produtivas e empáticas.
Lembre-se: cada pausa conta. Cada passo faz diferença. Transformar o cuidado em cultura é o verdadeiro ROI da saúde corporativa.
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