Historicamente, a saúde mental foi tratada como um tema “intangível”. Falava-se em bem-estar, porém, sem indicadores claros ou métricas de valor.
Esse paradigma começou a mudar quando grandes organizações passaram a cruzar dados de RH, benefícios e produtividade, provando que o sofrimento psíquico tem impacto direto em resultados de negócio.
Atualmente, o desafio está em traduzir o impacto humano em números de gestão.
A depressão, por exemplo, reduz em até 30% a capacidade produtiva de um colaborador. O presenteísmo — quando a pessoa está presente fisicamente, mas sem rendimento — pode custar até três vezes mais do que o absenteísmo.
Portanto, empresas que aprendem a medir esses efeitos não apenas validam seus investimentos, mas também, redefinem o papel da saúde mental como um eixo de performance organizacional.
Índice
Toggle1. Diagnóstico inicial: estabeleça sua linha de base
Toda mensuração começa com dados confiáveis. Antes de calcular retorno, é preciso conhecer o ponto de partida.
O diagnóstico de saúde mental deve considerar indicadores de negócio e de comportamento:
- Taxa de absenteísmo e presenteísmo;
- Custo médio dos afastamentos por transtornos mentais;
- Utilização dos benefícios psicológicos e planos de apoio;
- Índice de engajamento em ações de bem-estar;
- Percepção de clima e sobrecarga emocional nas equipes.
Essas informações funcionam como uma linha de base que permitirá, meses depois, demonstrar impacto e retorno.
A Deloitte (2020) reforça que empresas que estruturam seus programas com diagnóstico prévio conseguem medir resultados 2,4 vezes mais rápido que aquelas que não têm essa etapa inicial.
Dica Vital Work: combine dados quantitativos (como número de afastamentos) com indicadores qualitativos (como níveis de estresse e satisfação). A integração entre RH e área de saúde é o primeiro passo para gerar insights estratégicos.
2. Escolha KPIs que conectem saúde e desempenho
O sucesso da mensuração está na escolha dos indicadores certos — aqueles que falam tanto com o gestor de saúde quanto com o CFO.
Os KPIs precisam refletir impacto operacional, financeiro e humano.
Indicadores recomendados:
- Redução de dias perdidos por afastamentos e licenças;
- Diminuição da sinistralidade dos planos de saúde;
- Aumento do engajamento e da produtividade;
- Redução do turnover por esgotamento emocional;
- Melhoria no clima organizacional e confiança nas lideranças.
Além dos dados financeiros, empresas mais maduras incluem indicadores psicossociais (como o COPSOQ III ou GHQ-12), que permitem acompanhar o risco emocional das equipes e antecipar intervenções.
Insight Vital Work: vincular saúde mental aos indicadores estratégicos — como produtividade por colaborador, custo médio de afastamento e performance de times — é o que transforma o programa de bem-estar em uma ferramenta de gestão de valor corporativo.
3. Tornando o ROI tangível: um exemplo prático
A fórmula clássica de ROI é simples, mas poderosa:
ROI = (Benefícios – Investimento) ÷ Investimento
Vamos a um exemplo prático:
Imagine uma empresa com 200 colaboradores e custo anual de R$ 300 mil com afastamentos por transtornos mentais.
Após investir R$ 80 mil em um programa estruturado de saúde emocional, o custo anual cai para R$ 200 mil.
ROI = (100.000 – 80.000) / 80.000 = 0,25 (ou 25%)
Ou seja, para cada R$ 1 investido, há um retorno de R$ 1,25.
Mas esse é apenas o impacto direto. Os benefícios indiretos, por outro lado, como redução de turnover, aumento de produtividade e retenção de talentos, podem elevar o ROI total para 2x ou 3x o investimento inicial.
Segundo a Deloitte Canadá (2019), empresas com programas maduros (3 anos ou mais) alcançam retorno médio de CA$ 2,18 para cada CA$ 1 investido.
Em outras palavras: saúde mental bem gerida gera lucro.
4. Construa valor no longo prazo
ROI em saúde mental não acontece de um trimestre para outro.
Os resultados mais expressivos surgem quando o cuidado se torna parte da estratégia contínua da organização.
Empresas com políticas estáveis de bem-estar apresentaram retorno até três vezes maior após o segundo ano de implementação, de acordo com a Deloitte UK (2020).
Isso acontece porque o impacto é cumulativo:
- Colaboradores passam a confiar nas iniciativas;
- Líderes desenvolvem empatia e escuta ativa;
- O estigma sobre saúde emocional diminui;
- O clima organizacional melhora, impulsionando engajamento e resultados.
Vital Work Insight: o segredo não está apenas no investimento, mas na maturidade da estratégia. ROI sustentável é aquele que vem acompanhado de cultura, liderança e propósito.
5. No Brasil, cuidar é também uma obrigação legal
Além de estratégico, investir em saúde mental é uma questão de conformidade e prevenção jurídica.
A NR-1 e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) determinam que os riscos psicossociais — como estresse, assédio moral e sobrecarga — sejam identificados, avaliados e controlados.
Empresas que se antecipam a essas exigências não apenas evitam passivos legais, mas reduzem afastamentos e fortalecem sua cultura interna.
Contexto Vital Work: a atuação preventiva em saúde emocional também está alinhada às recomendações do Ministério Público do Trabalho e à tendência global de ESG — que inclui o cuidado com a saúde mental como indicador de sustentabilidade social.
6. O papel do RH e da liderança na mensuração do ROI
Medir o ROI da saúde mental exige integração entre áreas.
O RH precisa atuar como agente de dados, e a liderança como multiplicadora da cultura de cuidado.
É esse alinhamento que transforma métricas em resultados concretos.
Boas práticas para equipes de RH:
01. Defina metas claras (ex.: reduzir afastamentos por CID F em 15% ao ano);
02. Implemente ferramentas de monitoramento contínuo (dashboards e relatórios mensais);
03. Treine líderes para identificar sinais precoces de estresse e burnout;
04. Integre dados de saúde, clima e produtividade para análises de correlação;
05. Apresente resultados financeiros e culturais à diretoria.
“Nosso programa de saúde mental reduziu em 28% os afastamentos e economizou R$ 120 mil no plano de saúde em um ano.” — É esse tipo de narrativa, baseada em dados, que convence o board e transforma o cuidado em investimento estratégico.
7. Tendência global: o bem-estar como indicador de valor corporativo
O movimento global de Value-Based Health Care (VBHC) — ou saúde baseada em valor — chegou definitivamente às empresas.
Nele, o foco deixa de ser o volume de ações (quantas palestras ou consultas) e passa a ser o impacto real sobre o colaborador e o negócio.
Modelos de gestão em saúde corporativa agora combinam:
- Dados clínicos e psicossociais para personalizar o cuidado;
- Plataformas digitais que monitoram engajamento e indicadores;
- Programas de apoio psicológico contínuo, com resultados rastreáveis.
Atualmente, empresas que aplicam o conceito de valor à saúde mental já estão reduzindo sinistralidade, além de melhorarem a retenção e, assim, fortalecerem a reputação empregadora — um ativo cada vez mais valorizado.
Saúde mental como estratégia de negócio
Medir o impacto da saúde mental no ROI é, sobretudo, alinhar o cuidado com as pessoas à estratégia do negócio.
Além disso, empresas que dominam essa equação conseguem provar, com efeito, que o investimento em bem-estar gera resultados financeiros e culturais sustentáveis.
Mais do que números, o ROI da saúde mental representa inegavelmente a maturidade de uma organização que entende que pessoas saudáveis constroem empresas de alta performance.
Na Vital Work, acreditamos que medir é o primeiro passo para transformar.
Por isso, nossos programas de saúde emocional corporativa são baseados em valor (VBHC) — combinando métricas, prevenção e acompanhamento estratégico para entregar resultados reais para o colaborador, para o RH e para o negócio.