Por Vandeilson Riberi – Psicólogo, especialista em saúde mental na Vital Work
Em setembro, é comum que a saúde mental ganhe espaço nas empresas. Surgem campanhas, convites para palestras, mensagens na intranet e conversas que, em outros meses, acabam ficando em segundo plano. Essa mobilização tem muito valor: ajuda a reduzir o estigma, amplia o acesso à informação e pode fazer alguém perceber que não precisa atravessar um momento difícil em silêncio.
Mas setembro passa. E as pessoas continuam trabalhando, liderando equipes, lidando com pressão, mudanças, conflitos, perdas e dúvidas. Por isso, a pergunta não seja apenas “o que vamos fazer no Setembro Amarelo?”, e sim: “como a nossa empresa pretende cuidar desse assunto a partir do Setembro Amarelo?”
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ToggleSaúde mental não cabe em uma data
Falar de saúde mental e emocional o ano inteiro não significa transformar a empresa em um consultório, nem criar uma programação cheia de eventos. Significa construir repertório e caminhos: ajudar as pessoas a reconhecer sinais de sofrimento, orientar lideranças sobre como acolher sem ultrapassar seus limites e deixar claro onde buscar apoio.
Também significa olhar para o trabalho. Uma conversa sobre autocuidado perde força quando a equipe convive, por meses, com sobrecarga, falta de clareza, metas que mudam sem explicação ou relações marcadas pelo medo.
Cuidar não é colocar toda a responsabilidade no indivíduo; é entender o que, na forma de organizar e conduzir o trabalho, pode estar produzindo desgaste.
A educação em saúde mental pode acompanhar essa realidade. Em um momento, a empresa pode abrir uma conversa ampla sobre saúde emocional. Em outro, preparar gestores para conversas sensíveis e encaminhamentos responsáveis. Mais adiante, trabalhar temas como ansiedade, esgotamento, comunicação, segurança psicológica, prevenção ao assédio ou retorno ao trabalho. O importante é que exista uma lógica, e não apenas uma sucessão de ações esporádicas.
O que a NR-1 muda nessa conversa
Desde 26 de maio de 2026, a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 inclui expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Na prática, isso reforça a necessidade de observar aspectos da organização e da gestão do trabalho, como sobrecarga, assédio, falta de apoio ou baixa clareza de papéis e de transformar essa leitura em medidas de prevenção acompanhadas ao longo do tempo.
O foco não é investigar a vida pessoal de cada trabalhador nem fazer um diagnóstico clínico coletivo. O foco é compreender como o trabalho é planejado, distribuído e gerido, ouvindo as pessoas e identificando condições que demandam medidas de prevenção. A própria orientação do Ministério do Trabalho e Emprego destaca que não existe uma ferramenta única capaz de resolver esse processo.
Por onde começar quando ainda não existe um programa?
Começar não precisa ser sinônimo de fazer tudo de uma vez. Pode ser reunir o que a empresa já sabe: dados de clima, afastamentos, rotatividade, relatos recorrentes, dificuldades apontadas pelas lideranças e percepções dos trabalhadores. A partir daí, fica mais fácil escolher uma primeira frente que tenha sentido para aquele contexto.
Em algumas empresas, o melhor ponto de partida será uma avaliação dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Em outras, uma jornada de educação em saúde mental ajudará a criar uma linguagem comum antes de avançar. Não existe um pacote pronto porque não existe uma empresa igual à outra.
Na Vital Work, esse é o ponto de partida: entender antes de propor. A partir da realidade e dos desafios da empresa, podemos apoiar a construção de uma jornada de educação em saúde mental e emocional ou a avaliação dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, com indicadores coerentes com a necessidade identificada, e desenvolvimento de um programa contínuo em saúde mental.
Se a sua empresa reconhece que o tema precisa sair do calendário, mas ainda não sabe qual é o primeiro passo, talvez valha começar por uma conversa conosco para organizar as perguntas certas.
Se a sua empresa reconhece que o tema precisa sair do calendário, mas ainda não sabe qual é o primeiro passo, comece pela conversa. Fale com um especialista e vamos entender o seu contexto antes de propor qualquer caminho.